Líria, o principal instrumento é seu corpo

Líria Inomata é filha de imigrantes japoneses do norte do Japão, Hokkaido. Desde jovem dedicou-se aos esportes e à educação física. Gostava de jogar vôlei, de nadar e dar aulas. Tornou-se professora e trabalhou em diversas escolas públicas e particulares, ensinando ginástica olímpica, atletismo, natação e jogos de quadra. Morou em São Paulo e, por dez anos, em Brasília, para onde se mudou quando o primeiro marido, pai de seus três filhos, foi transferido. Lá, em contato com projetos voltados ao atendimento terapêutico, voltou a estudar e começou a direcionar seu trabalho para uma nova área – a atividade física terapêutica, tratando de diferentes dificuldades físicas, mentais e doenças crônicas. 

Voltou de Brasília para São Paulo quando o casamento acabou e inspirada pela Pedagogia Waldorf, voltada à educação comunitária, às artes e à autogestão, deu uma guinada em suas atividades profissionais. Juntou a experiência como psicodramatista, danças circulares e jogos cooperativos, que aprendera na UNIPAZ - instituição voltada para a integração entre pessoas e a cultura da paz -  e passou a oferecer atividades terapêuticas em diversos círculos que vão de igrejas a condomínios. Como taurina, diz ela, precisando ter os pés no chão, dedicou-se ao filho temporão que voltou a São Paulo com ela.  Buscou espaços onde sua visão de atividades artísticas e físicas destinadas ao desenvolvimento humano encontrasse acolhimento. Como ela explica: não adianta ter centenas de amigos no Facebook e não ter relacionamento e fluxo. É preciso formar uma rede e promover o autoconhecimento.

Juntar saberes, criar fluxos, alimentar relacionamentos, tem sido uma constante em sua vida por todos os lugares por onde passa e onde encontra espaço e interesse para todo esse conhecimento. Atuar através do trabalho corporal, da arte, do respeito ao outro foi sempre seu objetivo. Trabalhou com teatro espontâneo, no Grupo Gota D’Água; com psicodrama, com jovens carentes; com capacitação de educadores. Foi consultora de empresas, aprendeu coaching e obteve bons resultados com clientes em busca de mudança e desenvolvimento humano. 

Hoje, aos 65 anos, aposentada como professora e após uma outra relação amorosa desafiadora, ainda se abre para novas experiências que permitam o autoconhecimento, sempre acumulando saberes em cada nova etapa. Tem aproveitado a quarentena para diferentes formas de atendimento e diversas parcerias. Até mesmo as ferramentas tecnológicas para encontros virtuais não a assustam porque ela sabe que o mais importante é aprender, errando para acertar.

Participar de um grupo que liga movimento e música, improvisação e dança também faz parte desse harmonioso balaio de sensibilidades e sentimentos. Fluxos, redes de pessoas, atividades corporais e artísticas – sempre querendo aprender mais... é preciso ter fluidez – do nada, para o movimento, do movimento para a música...

Para explicar como as experiências brotam, assim, do nada, ela disse – é como nossa entrevista, daqui surge alguma coisa. Segundo Líria, nesse estar junto, nasce o autoconhecimento e novas facetas do que e com quem se está envolvido. É verdade, e estamos começando por essa matéria que você está lendo e por essas fotos que você está vendo. Venha se juntar a este fluxo! Vale a pena!




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